quarta-feira, 9 de maio de 2007

Agora que as palavras secaram

Agora que as palavras secaram
e se fez noite
entre nós dois,
agora que ambos sabemos
da irreversibilidade
do tempo perdido,
resta-nos este poema de amor e solidão.

No mais é o recalcitrar dos dias,
perseguindo-nos, impiedosos,
com relógios,
pessoas,
paredes demasiado cinzentas,
todas as coisas inevitavelmente
lógicas.

Que a nossa nem sequer foi uma história
diferente.
A originalidade estava toda na pólvora
dos obuses, no circunstanciado
afivelar
dos sorrisos à nossa volta
e no arcaísmo da viela onde fazíamos amor.

Eduardo Pitta

2 comentários:

antónio paiva disse...

................

belo poema!

obrigado, não conhecia este autor

.......................


Beijo e noite serena

Maria disse...

Não deixes secar as tuas palavras...

Não conhecia este Eduardo Pitta.
Gostei muito do poema.

Bom fim de semana