terça-feira, 8 de maio de 2007

Eu

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino, amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca


Deixo aqui um poema que não reflecte o meu estado de alma actual, mas que descreve alguns sentimentos que conheço bem...

2 comentários:

Maria disse...

Adoro a Florbela Espanca.
É uma escrita dolorida, de muito amor, muitos amores, é sempre bom poder lê-la aqui.

Obrigada e beijo

antónio paiva disse...

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a poesia mesmo quando faz doer é bela

passarei mais vezes pode contar

já agora quando tiver vagar e paciêcia, passe no "coisas-do-burro" penso que pelo menos de algumas coisas irá gostar

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Noite serena