segunda-feira, 21 de maio de 2007

Se as minhas mãos pudessem desfolhar

Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

Garcia Lorca

3 comentários:

Duarte disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Duarte disse...

Se as minhas mãos pudessem desfolhar o poema, polvilhar suas folhas na lisura de uma planície e vir colher as viçosas flores pelo húmus nutridas, ai se pudesse... voar perfumado... :)

Maria disse...

Há pouco Garcia Lorca por aqui.
Obrigada por o teres trazido....

Beijos